sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Gerenciamento técnico de grandes empresas e a meritocracia



Qualquer espécie de empresa, companhia ou a mais simples repartição pública do mundo sofrem os efeitos da má gestão técnica (diante das fragilidades do ser humano vide (Nietzsche)). Na sociedade civil e militar inúmeras formas de cooptação e atribuição de valores facilitam a vida dos incompetentes tecnicamente, mas extremamente habilidosos na arte da bajulação. Essa fragilidade torna-se altamente perigosa em serviços essenciais ou instalações e serviços que ofereçam risco de grandes acidentes.
A complexidade das estruturas para satisfação das necessidades de sociedades mais e mais sofisticadas e dependentes de empresas gigantescas é algo assustador, quando vemos “coisas” que vão da crise econômica internacional, criada pela desonestidade de mega-executivos financeiros até a sequência de apagões que se abateu sobre o Brasil.
A questão não é mais o bueiro voador, simplesmente, e sim regiões brasileiras que ficam sem energia elétrica, por exemplo, porque algum raio que o parta atrapalhou as férias do pessoal...
Fica a dúvida: qual é a situação real das grandes hidrelétricas e suas barragens? As refinarias estão em mãos competentes? Podemos acreditar no PréSal? Temos tranquilidade para morar e/ou trabalhar no último andar de qualquer prédio?
No Brasil o gerenciamento de empresas caiu em lógicas de oportunismo político e diretrizes simplórias, como, por exemplo, praticar preços e tarifas ridículos.
Internacionalmente o problema não é muito diferente, afinal a competição radical reduz margens de segurança em tudo, até na construção e operação de grandes navios.
A humanidade deve e pode calcular riscos e avaliar custos e benefícios. Para isso precisamos de transparência técnica total, sem o filtro de “conselhos” e pudores pessoais assim como a nomeação de gerentes de companhias de qualquer espécie (desde que de interesse público, como, por exemplo, grandes bancos) e repartições públicas deve subordinar-se à meritocracia e disciplinar-se pela boa gerência.
Um bom chefe, vamos falar assim, tem na qualidade de suas decisões a prioridade zero. Para isso não pode ser eleito através de critérios diferentes do que a própria e melhor competência técnica.
Infelizmente entende-se que as empresas são espaços livres de famílias ou partidos políticos, organizações de atribuição de valores e outras formas de coleguismo ou subordinação que não a qualidade do serviço.
Utopia ou não a sociedade precisa se preocupar com os lugares que frequenta, os serviços que utiliza, o que consome etc.. No Brasil até as Normas Técnicas devem ser compradas se o cidadão quiser saber o que significam os selinhos e carimbos. Quantas normas regem a fabricação de um copo de água?
A internet, quando funciona e é de boa qualidade, permite transparência e avaliações importantes. A melhor fiscalização é aquela que o alvo da auditagem não sabe quem, quando, onde e como está sendo avaliado.
Nossa Presidenta tem dito de imediato (após apagões, incêndios etc.) que erros humanos são as causas de acidentes graves. Com certeza o principal é a lógica de nomeação e de valorização de equipes técnicas. Quem errou?

Cascaes
18.1.2013
Nietzsche, F. (s.d.). Humano, Demasiado Humano (2 ed.). (A. C. Braga, Trad.) escala.



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